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Presidente do Corinthians: ‘A ordem expressa é economizar, economizar e economizar’

Danilo Vieira Andrade

Danilo Vieira Andrade

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Roberto de Andrade completa neste domingo seu primeiro mês como presidente do Corinthians. E foram 30 dias intensos. Dentro de campo, ele viu seu time passar pela Pré-Libertadores, vencer os clássicos contra São Paulo e Palmeiras, abrir vantagem no Grupo da Morte da Libertadores… Já fora das quatro linhas, percebeu que o clube está mergulhado em uma grave crise financeira. “Não tem dinheiro e ponto. Não se gasta absolutamente nada”, avisa Andrade, em entrevista exclusiva. Em pouco mais de uma hora, o sucessor de Mario Gobbi falou sobre a renovação de Guerrero, o atraso de Sheik, naming rights da Arena Corinthians, rivalidade com o São Paulo, favoritismo ao título da Libertadores, Alexandre Pato…


BLOG_ O senhor completa um mês como presidente hoje e ainda está invicto, com seis vitórias e dois empates. Esperava um começo tão bom?
ROBERTO DE ANDRADE_ É, não tenho do que reclamar. Mas nosso time é ótimo e o Tite, brilhante. Para mim, ele é o grande responsável por essa fase.
O Corinthians é o grande favorito da Libertadores?
Vejo o Corinthians favorito em todos os torneios que entra, só que é difícil cravar que será campeão, até porque Boca Juniors e River Plate estão muito fortes. Sem contar que sempre pinta alguma surpresa.
Qual balanço faz dos primeiros 30 dias na presidência?Usei esse período para ver tudo: contratos, compromissos, pendências. Também pedi um raio-X de cada departamento. A partir da semana que vem, sentarei com os diretores para conhecer os problemas.
E o que assustou?
Nada, mas, depois de ver as contas, a ordem expressa é economizar, economizar e economizar. Não se gasta absolutamente nada. O que eu mais fiz nesses 30 dias foi dizer não. O dia inteiro. E todos vão ter de aprender a fazer o mesmo.
São 612 funcionários, incluindo jogadores profissionais e das categorias de base. Já sabe se terá de cortar muitos deles?Já cortei alguns, mas só saberei ao certo quando tiver a fotografia de cada departamento. Posso precisar mandar embora cem pessoas, não porque eu queira, mas por necessidade. Preciso cortar o máximo que conseguir, infelizmente. Não existe limite para corte.
Como pretende presidir um clube que teve déficit de R$ 4 milhões por mês em 2014 e antecipou quase todas as receitas de TV deste ano?A realidade é uma só: não tenho dinheiro e ponto. A coisa realmente está ruim, com muita dívida. Posso fechar as torneiras do clube e deixar todo mundo sem água? Claro que não! Posso apagar as luzes e deixar o clube às escuras? Também não. Mas o Corinthians precisa funcionar de maneira mais enxuta, equilibrada e racional.
Pode sobrar para o time do Tite, cuja folha é de quase R$ 11 milhões por mês?Não. Está fora de cogitação. A base é que deverá ter mudanças. Tenho conversado com o Alessandro (ex-lateral e, hoje, gerente da base) sobre as possibilidades. A intenção é priorizar qualidade, não quantidade.
Como ampliar as receitas?Com a ajuda do marketing, que está trabalhando 24 horas por dia. O Marcelo Passos (diretor de marketing) é um cara com conceito e está aproximando empresas e empresários do Corinthians. Somos um clube sério, com pessoas sérias.
Pensa em pedir ajuda a empresários corintianos?Não é isso. Estou falando de relacionamento. O Corinthians tem uma arena maravilhosa. Então, por que não buscar sugestões de negócios? E não vamos pensar só em acordos milionários, porque qualquer dinheiro é bem-vindo. Está errado pensar que temos só a camisa como propriedade. Existe muita coisa para negociar.
Como o quê?Posso vender o nome do CT, as propriedades do estádio, ter patrocínio em todos os esportes que existem no clube.
O Corinthians tem tradição na natação, no futsal e, mais recentemente, nas lutas. Esses cortes os ameaçam? 
Pelo contrário. O Corinthians é um clube esportivo e vou incentivar todos os esportes.
Você vai conseguir renovar o contrato do Guerrero?Não sei. Ainda não sentei para conversar com o empresário dele (Bruno Paiva). A reunião seria na última semana, mas o empresário viajou para a Europa. Também não tenho pressa.
Não teme que ele assine pré-contrato com outro clube?
Não existe a menor chance de isso acontecer. O Guerrero pode até não ficar, mas só fechará com outro clube depois de as negociações com o Corinthians estarem encerradas.
Irritou-se com o atraso do Sheik no domingo passado?Acho irrelevante. Qual o problema de o cara atrasar 15 minutos se, em muitos dias, ele vai embora 30 minutos além do horário combinado? Nesses casos, a regra é multar. Não entendo o motivo do alarde.
Como o Guerrero, o contrato do Sheik também terminará em julho, antes da final da Libertadores. Será renovado?Não é hora de pensar nisso.
Uma das principais críticas da torcida é em relação ao preço do ingresso na Arena Corinthians. Você cogita baixá-lo?Eu não descarto, mas só poderei fazer isso a partir de abril, após o relançamento do Fiel Torcedor. O programa precisa mudar, pois foi concebido para o Pacaembu, que é diferente do nosso estádio. Também vamos lançar até abril a venda dos camarotes e das cadeiras cativas.
E os naming rights?
Estamos tratando com duas empresas estrangeiras. Já fizemos a nossa proposta e, agora, a bola está com elas.
Um gerente de marketing da Chevrolet afirmou que havia uma conversa com vocês.
Posso garantir que não existe negociação alguma com a Chevrolet. Eu o conheço, é meu amigo. Não sei por que disse isso.
A Abu Dhabi Investment Authority, multinacional que o Andrés visitou quatro vezes desde 2013, ainda está na parada?É uma das duas empresas com as quais negociamos. Inclusive, chegamos a falar com eles desde a época da minha eleição.
Quando estará fechado?
Por mim, teria fechado quando o primeiro caminhão de terra começou a trabalhar lá. Mas pode acontecer de você sair daqui (a sala da presidência, local da entrevista) agora, tocar o telefone e fechar, assim como pode levar mais três meses.
E você pede quanto?
Continuamos pedindo R$ 400 milhões, o prazo é que está indefinido. Pode ser por dez anos, por 15 anos…
O Paulo Nobre pôs R$ 156 milhões do próprio bolso no Palmeiras. Você faria isso?Não acho que cabe. Vou trabalhar com competência, dedicar 100% do meu tempo para o clube ficar maior, sempre buscando recursos no mercado. Esse é o papel do presidente.
Como reage com os comentários de que é o Andrés quem manda?Acho uma grande falta de respeito. Não tem cabimento. É claro que usarei o conhecimento dele, tanto que o coloquei como superintendente de futebol. Mas a caneta é minha. Se eu falar que não assino nada, quem vai me fazer assinar?
O Ronaldo foi a melhor contratação da história do clube?Com certeza. E em todos os sentidos. Engraçado que o contratamos sob grande desconfiança e ele deu extremamente certo. Já o Pato foi o oposto. Todo mundo nos elogiou e ele foi uma grande decepção.
O Pato ainda tem clima para jogar no Corinthians?
O caminho é vendê-lo. Até por isso, torço para que ele vá muito bem no São Paulo. É um menino do bem e, se arrebentar, não faltarão interessados.
Você aceitaria dar um desconto nos R$ 5 milhões que o São Paulo tem de pagar se quiser usá-lo no Majestoso?Multa é multa. Contrato é contrato. O São Paulo aceitou essas condições. O máximo que dá para fazer é parcelar os R$ 5 milhões. Aí, a gente conversa.
O São Paulo é o grande rival do Corinthians atualmente?Eu gosto de ganhar de todos os rivais. Cresci vendo o Palmeiras como o maior adversário, mas, de uns tempos para cá, a rivalidade maior tem sido, realmente, com o São Paulo.
Por que você era contra a volta do Mano, em 2014?Meu nome era o Oswaldo de Oliveira, eu o considero ótimo. O que não quer dizer que o Mano seja ruim. Mas a decisão cabia ao presidente Mario Gobbi.
Fonte: Jorge Nicola

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