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| Fabio Santos jogou machucado em algumas partidas deste ano | Getty |
Depois de falar de política e dizer que não fica em 2014, o diretor de Futebol do Corinthians, Roberto de Andrade, fez um balanço de 2013 e contou um pouco do planejamento para a próxima temporada. Na segunda parte da entrevista para o ESPN.com.br, o dirigente culpou o excesso de jogos pela temporada ruim do time. “Tivemos que forçar alguns jogadores. Fabio Santos cansou de jogar machucado”, afirmou.
Roberto de Andrade – Sim.
Sim.
Não sabemos ainda, estamos vendo.
Não falo. Vocês já falam todos os dias tudo que precisamos. A imprensa toda fala. Vocês criticam todo mundo. Vamos pegar o que vocês criticam e tentar trocar.
É. Vamos dar razão para vocês.
Sim.
Você sabe (risos).
Não estou falando aqui que vamos mandar alguém embora. Todo mundo tem contrato e será respeitado. Não vamos mandar ninguém embora. Vamos trazer mais gente para deixar o elenco mais forte. Sempre a ideia do Corinthians é deixar o elenco mais forte.
Todos ficarão aqui para cumprir o contrato. Caso venha alguma proposta para alguém, hoje não há nenhuma proposta. Então, entende-se que todos cumprirão o contrato. Eu só posso falar algo diferente do que eu estou falando a hora que tiver uma proposta por escrito, oficial, Caso não chegue isso, todos vão ficar aqui até o último dia do contrato.
Eu não tenho que avisar ninguém. Eles sabem quando o contrato acaba. O direito é dele de fazer um pré-contrato.
Sim, lógico. Mas não aconteceu ainda. Com nenhum jogador.
Tem de ser competente, ter currículo. Tem de segurar tudo isso aqui que não é brincadeira. Precisa de alguém que tenha alguma bagagem.
Meu? Isso aqui não é minha casa. Eu não trago para cá quem eu gosto ou quem eu quero. Aqui a gente precisa trazer quem é melhor para o Corinthians. As pessoas confundem um pouco. Na minha casa eu faço o que eu quero. Aqui não. Aqui eu faço o que é melhor para o Corinthians. Se for o Mano Menezes vai ser porque nós achamos que ele é o melhor para o Corinthians nesse momento. Não é o que o Roberto acha. É importante deixar isso claro. Não é o que o Mario quer, ou o que o Roberto quer, ou o que o Edu quer. Fazemos o que é melhor para o Corinthians.
É uma empresa normal, tem problemas normais como tem em qualquer lugar. A nossa relação aqui é a melhor possível.
Isso acontece em qualquer lugar. A gente sai com todo mundo, não quer dizer nada e não é um problema. As pessoas criam essas coisas. Você não carrega ninguém para lugar nenhum. Isso não existe. Um homem de 30 anos, rico, e eu vou levar ele em algum lugar? Ou ele vai me levar? Não precisa disso.
Você não pode se dar com ninguém do trabalho? Só porque eu sou diretor não posso conversar com ninguém? Se o diretor tem essa postura, vão falar que ele é arrogante.
Cada um sabe o que é certo e o que é errado. Você sabe o que é certo e o que é errado. Você pode querer fazer e sabe das consequências. Eu não posso querer tomar conta de todo mundo. Fora daqui eu não tenho como policiar todo mundo e nem é nossa função.
Acho que é um direito da torcida fazer isso e o jogador que for ‘vivo’ fica em casa, para evitar esse confronto desnecessário, na minha visão. Mas você não pode proibir ninguém de sair de casa. Só porque estamos perdendo o cara não pode sair para jantar? Não tem sentido. Sei que não é isso que eles reclamam, não é de um restaurante, claro. Cada um é responsável pelo que faz.
Não é competência nossa. Competência nossa é ele chegar no horário para treinar, trabalhar, vir para o jogo, fazer um bom jogo, depois não é problema nosso.
Se afetar o desempenho é diferente. O treinador vai conversar com o jogador, ver o que ele está fazendo. Ele vai ser cobrado pelo fraco desempenho, independente do que esteja fazendo fora. Às vezes o cara que está mal tem família, não sai nunca. Não dá para agir com o mesmo discurso do mesmo jeito.
Não. Quem discute desempenho é a comissão técnica.
Se eu for fazer isso, eu mando o treinador embora. Cada um tem a sua função. Essa não é a nossa. Se a gente pagou caro e o técnico não quer colocar, a gente vai respeitar. Até porque, se for assim, jogador que vem de graça não vai entrar nunca? Se quem tem de jogar são os caros… Essa teoria não existe.
Não acho nada. Concordo com o que o meu treinador fizer.
Como todo mundo enxergou. Desnecessário fazer aquilo, mas a gente tem de aceitar. Não vamos crucificá-lo por isso. Não podemos nos esquecer que outros dois jogadores também perderam o pênalti naquele dia e não fizemos o gol em 90 minutos. Temos que enxergar de forma mais ampla.
Não. Como não procura quando faz gol.
Tivemos uma queda no rendimento, física e técnica, por causa do excesso de jogos. Em alguns jogadores pontuais, que não tínhamos reposição, tivemos que forçar alguns outros que não era para ter uma sequência tão grande. Você insiste com um jogador três ou quatro jogos seguidos e você acaba perdendo para o resto do ano, que ele não consegue se recuperar. Uma soma disso tudo, com a queda técnica e com a física, resulta nisso.
Eles se contundiram. O Fábio Santos é um exemplo de jogador, que muitas vezes entrou no sacrifício. Cansou de jogar jogos machucados para cooperar com a equipe. Vou dar um exemplo para você, o Danilo é um jogador que tinha que ter todos os cuidados do mundo para não ter quatro jogos seguidos, por uma fadiga muscular, e ele teve de fazer por não ter outro na função. Acabou estragando o resto do ano. Era tudo previsto. Mas nem sempre a previsão dá certo. Tem o imponderável. Tem isso no futebol.
Para 2014 vocês estão pensando nisso?
Para 2013 a gente já pensou. Mas tem o imponderável, como eu falei. Não dá para você ter três jogadores para cada posição. Temos dois. Mas se machuca um, você tem um só. Se esse estoura, você faz improvisação. E aí as coisas não funcionam como você gostaria.
A gente sabe das nossas necessidades, não é de hoje. Agora é hora de acertar as necessidades.
É boa. Poderia ser melhor? Poderia ser melhor. Mas não é ruim. Todo mundo que está aqui poderia melhorar.
Todos, sem exceção. Se a gente tiver proposta para 100% do elenco e 100% do elenco quiser sair, todos sairão. Não existe dizer algo diferente.
Excesso de jogos. Quarta e domingo, quarta e domingo, você não consegue recuperar ninguém. Se você não tem uma semana cheia, fica mais fácil. Ainda mais viajando para jogar. É complicado.
Eu acho. Não sou eu quem digo, mas profissionais gabaritados dizem que a pré-temporada é muito importante. A gente não consegue fazer isso direito. São dez dias quando tem. É isso que faz falta ao longo do ano. Se tivesse 30 para férias, mais 30 para pré-temporada, teríamos um ano melhor.
Não resolvemos nada. A nova comissão técnica vai definir. Mas não está escrito em lugar nenhum que eu preciso usar os que ganham x ou y.
Nós temos alguns exemplos. O próprio Cruzeiro é um exemplo, conseguiu fazer uma grande temporada.
Eu acho que tudo que a gente disputa tem importância. A importância sempre não existe para quem não ganha. Se você está disputando para ganhar, tem importância. Não tenha dúvida.
Poderia ser mais enxuto.
Fonte: ESPN
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